Se o trabalhador ganhar mais, vocês também ganham mais, diz Lula a empresários

  Presidente cobra escolha responsável nas urnas, alia equilíbrio fiscal à responsabilidade social e convida a iniciativa privada a investir em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país

Mais dinheiro no bolso dos trabalhadores significa mais consumo, produção e oportunidades para as empresas. Foi esse o recado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a empresários e representantes do setor produtivo reunidos em São Paulo, na noite de sexta-feira, 25. Durante o encontro, Lula associou o desenvolvimento à inclusão social, pediu investimentos em áreas estratégicas e cobrou responsabilidade na escolha de quem vai conduzir o Brasil.

“Vocês empresários precisam compreender que o trabalhador ganhando mais vai resultar em vocês ganharem mais”, afirmou. O presidente explicou que uma sociedade com maior capacidade de consumo estimula as empresas e a produção agrícola. “Eu tenho um sonho com esse país, eu tenho um sonho. Eu sonho em transformar esse país num país de classe média”.

O encontro foi organizado pelos grupos Esfera Brasil, Prerrogativas e Parlatório. Diante dos convidados, Lula vinculou o crescimento à autonomia do Brasil para decidir seus rumos e à capacidade de quem governa de transformar projetos em resultados, reforçando o alerta de que conduzir o país exige experiência e não pode ser uma aventura.

Crescimento com renda e inclusão

Lula afirmou que o equilíbrio das contas públicas é uma obrigação de quem governa, porque a população mais pobre paga o preço dos desajustes. Mas rejeitou receitas que retiram recursos da Previdência e das políticas de inclusão. “Se a gente não tem responsabilidade social junto com a responsabilidade fiscal, a gente não resolve o problema do país”, ressaltou.

Como exemplo da capacidade de negociação do governo, o presidente citou a aprovação da reforma tributária, mesmo com uma representação minoritária de seu partido no Congresso. Para ele, estabilidade política e segurança jurídica são condições para o desenvolvimento. A questão central, argumentou, é definir se o Brasil será governado apenas para uma parcela da população ou para todos os brasileiros.

Riquezas a serviço do Brasil

O presidente também convidou a iniciativa privada a participar de projetos necessários ao crescimento nacional. “Nós precisamos encontrar empresários que sejam parceiros para fazer esse país crescer em coisas que a gente precisa”, afirmou. Entre as prioridades, citou inteligência artificial, infraestrutura digital e investimentos em educação para que os jovens brasileiros participem do desenvolvimento de novas tecnologias.

Nesse caminho, Lula destacou o potencial das terras raras e dos minerais críticos, que devem servir para fortalecer a indústria, gerar empregos e ampliar o domínio tecnológico brasileiro. A proposta é extrair, transformar e industrializar essas riquezas no Brasil, em vez de manter o país como mero exportador de matérias-primas. Sobre a participação estrangeira, foi direto: “Eu quero, mas tem que vir para trabalhar sobre o nosso comando, porque nós queremos ter conhecimento tecnológico”.

A defesa desse projeto de desenvolvimento deu o tom dos recados sobre a eleição. Lula afirmou que os convidados conhecem as trajetórias dos candidatos e têm condições de avaliar quem está preparado para governar. “Vocês estão vendo quem são os candidatos, eu não preciso falar mal de ninguém, vocês sabem quem são os candidatos e vocês sabem quantos têm condições de governar esse país”, declarou.

O presidente destacou a experiência acumulada por ele e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e rejeitou tratar o futuro nacional como uma aposta. “Isso aqui não é um jogo de truco”, advertiu. O pedido de voto também veio acompanhado de humor: “Pode ter alguém que até não goste de mim, não tem problema, não quero casar com vocês, eu só quero o voto”.

Fonte: Rede PT de Comunicação

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