Brasil em Movimento: 3ª edição detalha aspectos de pesquisas com Murilo Hidalgo

Como analisar pesquisas eleitorais: a terceira edição da série de palestras Brasil em Movimento, promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), recebeu quinta-feira (6/8) o analista político e CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, para discutir não só o cenário eleitoral, mas também explicar os aspectos a serem analisados para compreender os números por trás dos levantamentos pré-eleição.

"Os industriais de Goiás precisam entender como as pesquisas são feitas, como devem analisá-las e o que realmente observar dentro delas. Hoje, praticamente todos os dias é divulgada uma pesquisa eleitoral. Por isso, não vale a pena olhar apenas a manchete. O importante é entender o que existe por trás desses números", ressaltou Hidalgo.

O presidente da Fieg, André Rocha, afirmou que o objetivo do evento é promover debate e reflexão. "A Casa da Indústria é a casa do empreendedor goiano, daquele que gera emprego e renda. Queremos fazer da Fieg um palco de discussões da democracia", afirmou.

O secretário de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás, Joel Sant'anna, destacou a importância do encontro para mapear as eleições. "Os empresários estão ansiosos para saber como levar sua empresa e projetarem novos investimentos", disse.

Jogo em aberto

Hidalgo abriu a apresentação afirmando que o processo eleitoral brasileiro ainda está no início, apesar da proximidade do pleito. Segundo ele, os levantamentos indicam segundo turno na disputa presidencial e em boa parte dos Estados, o que mostra que "o campeonato não começou". O analista lembrou que os debates eleitorais começam a partir de domingo (9/8), com a primeira rodada promovida por uma rede de televisão. Ele observou ainda que os partidos podem substituir, até o dia 15 de agosto, candidatos e vices registrados.

Com base no compilado de pesquisas dos últimos 30, 60 e 90 dias, Hidalgo mostrou que a oscilação entre os institutos tem sido de dois a três pontos porcentuais, o que reforça a leitura de que dificilmente a Presidência da República será decidida no primeiro turno. O especialista também destacou que as três últimas eleições presidenciais brasileiras foram marcadas por acontecimentos imprevisíveis que mudaram o rumo da disputa. Para o analista, esse tipo de fator imponderável reforça o caráter em aberto da eleição atual.

Imprevisibilidade

Um dos pontos centrais da palestra foi o alerta para que o público não se limite ao resultado final divulgado pelas pesquisas, mas observe os números internos, por região. Hidalgo apresentou comparativos entre institutos de pesquisa, mostrando divergências relevantes nos resultados regionais para a disputa presidencial, inclusive entre pesquisas do mesmo instituto realizadas com poucos dias de diferença. Para ele, essas oscilações bruscas, sem fatos novos que as justifiquem, são um sinal de que o resultado deve ser observado com cautela.

O CEO da Paraná Pesquisas afirmou ainda que o resultado da eleição presidencial deve ser definido, sobretudo, pelo desempenho dos candidatos no Nordeste e no Sudeste, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro.

Perfil do eleitor

O palestrante apresentou um raio-X do eleitorado dos dois principais nomes na disputa. De acordo com os levantamentos da Paraná Pesquisas, o eleitorado de Lula é formado majoritariamente por mulheres, jovens e pessoas com mais de 60 anos; o de Flávio Bolsonaro concentra eleitores de outras faixas etárias e com escolaridade de nível médio.

Sobre religião, Hidalgo mostrou que praticantes de ambas as vertentes dominantes do cristianismo (catolicismo e protestantismo) têm padrão de resposta semelhante, mais conservador. Da mesma forma, o analista disse ser contrário a classificar eleitores simplesmente como "de direita" ou "de esquerda", já que grande parte da população não sabe definir esses termos, preferindo os rótulos "conservador" e "progressista".

Economia

Hidalgo avaliou que a economia deve pesar na reta final da campanha, citando como possíveis promessas a isenção ampliada do Imposto de Renda e a proposta de transporte público gratuito. Segundo ele, o debate econômico tende a girar em torno da realidade cotidiana do eleitor. O analista também comentou o debate sobre as apostas esportivas on-line (bets), avaliando que o tema deve ganhar espaço na campanha.

Governabilidade

Ao encerrar a apresentação, Hidalgo tratou da renovação do Senado em 2026. Para ele, independentemente do espectro ideológico dos eleitos, a maioria tende a adotar postura governista já a partir do início do mandato, em razão da necessidade de garantir emendas e recursos para suas bases eleitorais. Por isso, avaliou, é pouco provável que o próximo presidente da República, seja qual for, enfrente dificuldades para formar maioria no Congresso.


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