Empresário, ex-secretário de Governo do GDF e pré-candidato a deputado federal afirma que excesso de exigências, demora na concessão de licenças e taxas dificultam a expansão dos negócios e a geração de empregos

Foto: pedro Santos
Quem está diariamente atrás de um balcão, administrando funcionários, negociando com fornecedores e atendendo clientes conhece os desafios de manter uma empresa funcionando. No Distrito Federal, além das dificuldades naturais do mercado, empreendedores ainda precisam enfrentar excesso de documentos, demora na emissão de licenças e custos que comprometem o tempo e o orçamento dos negócios.
Para o empresário e ex-secretário de Governo do Distrito Federal José Humberto Pires, conhecido como Zé Humberto, a burocracia se tornou um dos principais obstáculos para quem deseja investir, ampliar sua atividade e gerar oportunidades.
“O maior concorrente de quem quer empreender e gerar empregos no DF é a burocracia. Quem está no dia a dia do comércio sabe o quanto a papelada, a demora nas licenças e as taxas pesam no bolso e consomem o tempo de quem precisa trabalhar”, afirmou Zé Humberto.
Com trajetória ligada ao comércio e à administração de empresas, ele deixou a Secretaria de Governo do GDF em abril de 2026 para se dedicar à pré-candidatura a deputado federal pelo MDB e retomar a atuação nos negócios da família. Zé Humberto estava à frente da pasta desde junho de 2019.
Segundo o ex-secretário, simplificar procedimentos não significa acabar com a fiscalização ou deixar de cumprir a legislação. A proposta é estabelecer regras mais claras, integrar os órgãos públicos e criar prazos objetivos para a análise de documentos e autorizações.
“Menos burocracia significa mais liberdade para trabalhar. O empreendedor precisa usar seu tempo para cuidar do negócio, atender bem, investir e contratar pessoas, e não para percorrer repartições tentando descobrir qual documento ainda está faltando”, declarou.
Excesso de exigências afeta principalmente os pequenos negócios
Os efeitos da burocracia são ainda mais sentidos pelos pequenos e médios empreendedores, que geralmente não possuem equipes jurídicas ou administrativas dedicadas exclusivamente ao acompanhamento de processos públicos.
Para quem está começando, semanas ou meses de espera podem significar aluguel pago sem faturamento, contratos perdidos, produtos parados e adiamento da contratação de funcionários.
Zé Humberto afirma que é necessário estabelecer um novo relacionamento entre o poder público e quem trabalha para produzir, comercializar e prestar serviços.
“O governo precisa ser parceiro de quem produz. Fiscalizar é necessário, mas o empreendedor não pode ser tratado como suspeito antes mesmo de começar a trabalhar. Precisamos de regras claras, menos filas, menos papelada e mais confiança em quem gera renda e oportunidades”, disse.
Entre as medidas defendidas estão a digitalização dos serviços, o compartilhamento de informações entre órgãos públicos, a redução de exigências repetidas e a criação de prazos para que a administração responda aos pedidos apresentados pelas empresas.
Empresários do DF relatam dificuldades
As reclamações sobre burocracia não são recentes. Em encontro realizado em Arniqueira para discutir a desburocratização do setor produtivo, empresários relataram dificuldades relacionadas à regularização de áreas comerciais, à emissão de documentos e ao licenciamento de estabelecimentos.
O empresário do ramo de turismo Linário Leal afirmou, na ocasião, que tentava regularizar a situação de sua empresa desde 2007, mas continuava esbarrando em entraves burocráticos.
“Estou aqui para ver se vai mudar alguma coisa, para ter condições de trabalhar”, declarou o empresário durante o encontro.
A técnica em contabilidade Mytsa Karla Costa Luna também destacou a importância de o poder público ouvir quem vivencia diariamente os problemas do setor.
“Muito importante que o governo nos escute, porque somos nós, os empresários e comerciantes da cidade, que vivenciamos diariamente os problemas do setor. Por meio do diálogo, conseguimos encontrar soluções de melhorias não apenas para o setor, como para toda a comunidade”, afirmou.
Os depoimentos mostram que a agilidade dos serviços públicos pode interferir diretamente na decisão de abrir, ampliar ou manter um empreendimento. Quanto mais demorada é a liberação para o funcionamento, maior é o risco de prejuízo para quem investiu suas economias em um negócio.
Liberdade para investir e contratar
Para Zé Humberto, a liberdade econômica está diretamente relacionada à geração de empregos. Na avaliação do empresário, quando existem segurança jurídica, previsibilidade e procedimentos simples, o setor produtivo se sente mais preparado para investir.
“Sou empresário e conheço de perto a realidade de quem acorda cedo, abre as portas do comércio e trabalha para manter uma empresa funcionando. Como pré-candidato a deputado federal, quero representar essas pessoas. No Congresso, vou defender a simplificação das regras, a segurança jurídica e medidas que permitam ao setor produtivo investir, crescer e gerar mais empregos”, afirmou.
Zé Humberto sustenta que a atuação do Estado deve facilitar a vida de quem trabalha dentro da legalidade, sem abandonar a fiscalização necessária para proteger consumidores, trabalhadores e a sociedade.
Para ele, o combate à burocracia também deve incluir a revisão de normas antigas, a padronização dos procedimentos e a ampliação dos serviços digitais. A ideia é evitar que o empresário tenha que apresentar os mesmos documentos várias vezes a diferentes setores da administração.
Defesa do setor produtivo no Congresso
Pré-candidato a deputado federal, Zé Humberto afirma que pretende levar ao Congresso Nacional a experiência adquirida tanto na iniciativa privada quanto durante sua passagem pela administração pública. A pré-candidatura foi anunciada após sua saída da Secretaria de Governo do Distrito Federal.
Segundo ele, a defesa do setor produtivo será uma das prioridades de sua atuação política.
“No Congresso, vou defender quem trabalha, produz e gera empregos. Precisamos de leis que facilitem a abertura e o crescimento das empresas, garantam segurança para quem investe e reduzam os obstáculos que impedem a criação de novas oportunidades”, declarou.
Zé Humberto também defende atenção especial aos comerciantes locais, microempreendedores individuais e pequenos empresários, que possuem menos recursos para enfrentar longos processos administrativos.
“O pequeno empreendedor não pode passar mais tempo preenchendo papel e esperando autorização do que cuidando do próprio negócio. Quem quer trabalhar precisa encontrar no Estado um parceiro, e não mais uma barreira”, afirmou.
Para o empresário e ex-secretário, a redução da burocracia pode estimular novos investimentos, fortalecer o comércio das regiões administrativas e ampliar a oferta de empregos no Distrito Federal.
“Quando o empreendedor tem liberdade e segurança para trabalhar, toda a sociedade ganha. A empresa cresce, novos empregos são criados e mais renda circula nas cidades”, concluiu Zé Humberto.
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