Brasil abre 5,1 milhões de empresas e a maioria nasce sem investidor


Divulgação Freepik

O Brasil bateu recorde na abertura de empresas em 2025. Segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal, foram criados cerca de 5,1 milhões de novos negócios ao longo do ano, o maior volume da série histórica. Desse total, 96% são pequenos negócios, com destaque para 3,8 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs). O avanço reforça a força do empreendedorismo que nasce, em grande parte, sem capital externo.

Em um ambiente em que rodadas de investimento e crescimento acelerado ganham visibilidade, muitos empresários seguem o caminho da construção com recursos próprios. Para Eduardo D’ávila, sócio-fundador do Grupo Empório, no Rio de Janeiro, com oito restaurantes próprios, a escolha foi estratégica. “Empreender sem investimento é uma decisão que muitos romantizam, mas poucos compreendem de verdade. Na prática, exige sacrifícios silenciosos e uma disciplina quase obsessiva”, afirma.

Sem investidores, cada erro impacta diretamente o caixa. “Quando você empreende com capital próprio, cada decisão errada dói de verdade. Não existe colchão para amortecer falhas”, diz. Segundo ele, essa dinâmica obriga o empreendedor a priorizar o fluxo de caixa antes de pensar em expansão e a estruturar o negócio com base em eficiência, não em promessas.

O desafio também é psicológico. “Empreender sem investimento externo significa conviver com incerteza todos os dias. É preciso ter disciplina para cortar custos antes que virem problema e coragem para dizer ‘não’ a ideias que não fecham a conta”, explica. Com recursos limitados, afirma, o foco precisa estar no essencial: produto, cliente e operação.

Outro aprendizado central é a mudança de mentalidade sobre lucro. “Sem investidor como rede de segurança, lucro não é resultado eventual, e sim condição de sobrevivência”, destaca. Para D’ávila, o capital externo pode ser bem-vindo, desde que venha para acelerar um modelo já validado, e não para cobrir fragilidades estruturais.

Com quase duas décadas de atuação no franchising e à frente da expansão do Empório do Galeto, o empresário avalia que a trajetória construída com recursos próprios trouxe solidez ao negócio. “Não romantizo essa jornada. Ela é dura e, muitas vezes, solitária. Mas forma empreendedores mais conscientes. No fim, talvez seja isso que separa quem persiste de quem desiste.”


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