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PIB do terceiro trimestre de 2023 indica diferenças importantes entre as regiões

Segundo levantamento da 4intelligence, Sudeste (0,6%), Sul (0,3%) e Centro-Oeste (0,2%) superam a média nacional; Norte e Nordeste apresentam pequena queda, após crescimento no trimestre anterior

Foto: Pedro Santos.

A 4intelligence, que desenvolve soluções baseadas em análise de dados por meio de algoritmos e inteligência artificial, divulga o seu Relatório Regional sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos estados para o terceiro trimestre de 2023. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicou crescimento de 0,1%, o que configura, na prática, estabilidade econômica. Nesse período, confirmou-se a expectativa de arrefecimento do dinamismo do setor da agropecuária, fruto do esgotamento dos efeitos da safra de soja da primeira metade do ano. Esse fator, principalmente, foi central para explicar a diferença no ritmo de crescimento no período entre as regiões.

O recuo de 3,3% do PIB agro para o total do Brasil, na margem, foi inferior ao esperado e o aumento acumulado no ano é extremamente positivo, de 18,1%. O Sudeste, mesmo com expansão maior que a média nacional no período (0,6%), teve aumento de apenas 2,2% no acumulado dos 12 meses, mesmo índice do Sul. O principal fator para uma performance abaixo das demais foi justamente a menor influência da agropecuária, setor que havia crescido com maior robustez durante o primeiro trimestre de 2023 e não apresentou mais os mesmos avanços.

Ainda no Sudeste, o setor de serviços teve alta de 0,4% e foi mais uma vez impulsionado pelo desempenho do segmento de outros serviços, com 0,7%, que cresceu apesar da recente desaceleração das atividades de transportes, armazenagem e dos Correios. Entre os estados, os destaques no setor de serviços foram São Paulo (0,8%) e Minas Gerais (0,7%), o qual vem se beneficiando em maior escala dos resultados recentes da agropecuária. O bom desempenho também acontece em linha com a resiliência observada no mercado de trabalho e a recuperação significativa da renda no último ano.

Sul em consonância com o Sudeste
A região Sul experimentou crescimento de 0,3% na transição do segundo para o terceiro trimestre de 2023, superando também a média nacional de 0,1% e ficando logo atrás do Sudeste. Com esse resultado, a região acumula 2,2% nos últimos 12 meses. O setor de serviços (1,1%) é o principal propulsor desse desempenho, impulsionado pela abertura de outros serviços (0,6%), beneficiando-se do mercado de trabalho robusto com a menor taxa de desemprego entre as regiões e indicadores positivos de renda. A crescente demanda por atividades turísticas, especialmente no Paraná, contribuiu para o avanço. O setor industrial teve crescimento de 0,3%, com destaque para Santa Catarina (0,5%). Na indústria de transformação, houve avanço tímido de 2,2%, enquanto a agropecuária registrou recuo discreto de 0,5%, impactada por ciclones extratropicais e desastres climáticos.

Centro-Oeste é destaque no acumulado do ano
No terceiro trimestre de 2023, a região Centro-Oeste conseguiu expansão de 0,2% em sua atividade econômica, em relação ao segundo trimestre. No acumulado de 12 meses, apresenta a maior expansão entre todas, alcançando 5,1%, alinhada ao sólido desempenho da agropecuária nos primeiros meses do ano anterior. A indústria cresceu 0,7%, notabilizando-se o setor de indústria de transformação, com 4,0%, especialmente em Goiás (5,6%) e Mato Grosso do Sul (4,5%). A contração mais expressiva ocorreu no setor agropecuário, com 3,7%, influenciado pelo desempenho negativo em todos os estados, com destaque para Goiás (-5,7%) e Distrito Federal (-5,7%), indicando acomodação do setor após fortes oscilações nos trimestres anteriores. Em serviços, alta de 0,9%, mas a maior progressão setorial ocorreu impulsionada pelo segmento de outros serviços (2,5%).

Norte e Nordeste foram as únicas regiões em queda
Dessa vez, o Norte apresentou queda de 1,9% em comparação às outras regiões. No entanto, a baixa foi suavizada pelo desempenho do setor de serviços (1,7%). No acumulado de 12 meses, a dilatação da atividade econômica da região foi de 4,5%, ficando atrás apenas do Centro-Oeste. A atividade econômica no Nordeste também teve recuo, mas um pouco menor, de 1,8%, resultado abaixo do registrado em nível nacional (0,1%) e o segundo menor entre as regiões do país, ficando atrás apenas do Norte. No último ano, por sua vez, constata-se expansão de 3,1% na região.

Cenário é de otimismo
Diante das surpresas positivas dos dois primeiros trimestres, mesmo com o fraco desempenho do terceiro trimestre, a projeção de crescimento de 2023 (3,2%) para o PIB foi mantida. Esses números incorporaram o setor agropecuário, que manteve resiliência nesse último período, além do consumo e de um mercado de trabalho pujante. Para 2024, o esperado é o avanço de 1,7% do PIB. A projeção mais modesta reflete, acima de tudo, expectativa de desempenho bem mais fraco do agronegócio e crescimento marginalmente menor de serviços, ainda que este, junto da indústria, deve seguir avançando em 2024.
Emerson Tormann

Técnico Industrial em Elétrica e Eletrônica com especialização em Tecnologia da Informação e Comunicação. Editor chefe na Atualidade Política Comunicação e Marketing Digital Ltda. Jornalista e Diagramador - DRT 10580/DF. Sites: https://etormann.tk e https://atualidadepolitica.com.br

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