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Vinte dias após apagão, Enel substitui presidente no Brasil

Nicola Cotugno será substituído por Antonio Scala na presidência da Enel (Foto: Divulgação)
Nicola Cotugno será substituído por Antonio Scala na presidência da Enel (Foto: Divulgação)

Antonio Scala Assume o Cargo de Nicola Cotugno


Após uma série de eventos desafiadores, a Enel Brasil anunciou nesta quinta-feira (23/11) a troca de comando, com Antonio Scala assumindo o cargo de presidente no lugar de Nicola Cotugno. Cotugno, que esteve à frente da subsidiária brasileira nos últimos cinco anos, deixou o cargo menos de um mês após um apagão em São Paulo afetar mais de 2 milhões de residências na capital, desencadeando uma série de críticas, multas, pedidos de encerramento da concessão e investigações por parte de órgãos reguladores.

Antonio Scala, executivo com 18 anos de experiência na empresa, assumirá o posto de presidente da Enel Brasil. Ele ingressou na Enel em 2009 e desempenhou papéis-chave, incluindo responsabilidades na gestão de risco e desenvolvimento industrial na Itália, além de liderar a Enel Green Power na América do Sul. Scala, formado em Administração de Empresas em 2002, atuou como Sócio Júnior na McKinsey & Company com foco nas áreas de energia, gás e finanças corporativas.

A substituição de Cotugno ocorre em um momento crítico para a Enel Brasil, marcado não apenas pelo apagão em São Paulo, mas também por problemas recentes causados por um temporal em Niterói e outras cidades fluminenses, que deixaram milhares de pessoas sem luz.

Durante a gestão de Cotugno, a Enel Brasil alega ter alcançado a marca de 100% de energia renovável, ampliando em 76% a capacidade de geração eólica e solar. A empresa também destaca um investimento significativo de R$ 17 bilhões em distribuição de energia de 2019 a setembro de 2023 nas áreas de concessão de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

A troca de comando não é apenas uma resposta às crises recentes, mas também faz parte de um planejamento prévio, conforme afirmado pela Enel. A saída de Cotugno estava inicialmente programada para outubro, quando ele pediu aposentadoria em uma reunião do Conselho de Administração. No entanto, a empresa decidiu prorrogar sua saída após o apagão para garantir uma transição adequada.

Durante esse período de transição, o presidente do Conselho de Administração, Guilherme Gomes Lencastre, assumirá a posição de forma interina até que todos os trâmites administrativos necessários para a nomeação de Antonio Scala sejam concluídos.

A Enel Brasil, que atende mais de 15 milhões de clientes em distribuidoras nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, enfrenta não apenas desafios operacionais, mas também pressões políticas e regulatórias. O pedido de rompimento do contrato feito pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e as CPIs na Câmara Municipal de Vereadores e na Assembleia Legislativa evidenciam o escrutínio público e a necessidade de respostas efetivas por parte da empresa.

O Ministério Público de São Paulo também está envolvido, tendo proposto um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) à Enel, buscando indenizações para os mais de dois milhões de consumidores afetados. A empresa tem 15 dias para responder ao TAC.

Em meio a essas pressões, a Enel Brasil busca agora uma transição suave de liderança, apostando na experiência de Antonio Scala para superar os desafios recentes e garantir a continuidade das operações e investimentos no país. O setor elétrico brasileiro observa de perto esses desdobramentos, aguardando respostas concretas e ações decisivas por parte da nova liderança da Enel.

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